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    Retrospectiva 2021: confira fatos que marcaram a tecnologia no Brasil e no mundo

    Os principais acontecimentos da tecnologia neste ano marcam tendências que veremos nos próximos, como os efeitos do metaverso e a expansão do 5G no Brasil, mas os efeitos do Facebook Papers são imprevisíveis

    Arte CNN

    Dante Baptistacolaboração para a CNN

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    O ano de 2021 trouxe fatos que vão marcar a tecnologia, mas só terão seus efeitos percebidos nos próximos anos.

    Não foi um ano que ficará lembrado por lançamentos de produtos, mas por conceitos e serviços que têm muita relação com como nos comportaremos no futuro.

    Daqui a alguns anos, quando você estiver pesquisando pelos fatos que marcaram o ano e encontrar essa reportagem, talvez já esteja vivendo, pesquisando e trabalhando dentro de uma nova realidade, e volte aqui para se lembrar, por exemplo, quando ouviu pela primeira vez a palavra metaverso.

    Ou talvez você volte aqui para lembrar quando aconteceu o leilão do 5G no Brasil.

    Mas 2021 não tratou apenas de metaverso ou da quinta geração da internet móvel. Tivemos um novo sistema operacional para computadores e notebooks, empresas que saíram do país e a companhia mais interessada em explorar esse universo em realidade virtual envolvida com problemas reais que a colocam em xeque. Tudo isso em meio ao segundo ano de pandemia de Covid-19 e o início da vacinação no Brasil.

    A CNN relembrou esses assuntos em sua retrospectiva 2021 de tecnologia. Confira a seguir:

    Facebook Papers expõe negligência da rede social

    Poucas empresas estiveram tão em evidência em 2021 como o Facebook/Meta, mas não exatamente por motivos positivos.

    Talvez sua mudança de nome para Meta e a maior queda já vista no serviço, ambos no mês de outubro, tenham sido questões até menores quando comparados ao Facebook Papers, série de vazamentos de questões internas da empresa revelada nos últimos meses.

    Em resumo, relatórios internos da companhia de Mark Zuckerberg apontaram negligências da empresa em relação à sua responsabilidade em temas importantes, como saúde mental, publicidade direcionada para menores de idade, problemas no algoritmo e manipulação de conteúdos de ódio com o objetivo de gerar polêmicas.

    O enorme conjunto de controvérsias que não parece ainda ter terminado pressiona a credibilidade da companhia.

    Mas de onde vieram os vazementos? A ex-funcionária Frances Haugen, que deixou a Meta por discordâncias com aspectos éticos e morais da empresa vazou uma série de documentos internos.

    Esses dados vêm sendo publicados de forma coordenada por veículos de imprensa de todo mundo, para que não exista uma pausa grande sem novidades vindas da empresa.

    O termo Facebook Papers foi cunhado pela imprensa dos Estados Unidos para denominar os dados expostos por Haugen, que trabalhava no setor responsável por pesquisas internas da plataforma.

    Segundo a ex-funcionária, a Meta visava o lucro acima de tudo, e esse comportamento a levou a coletar dados da companhia e enviá-los para parlamentares do Congresso e para a autoridade que regula as empresas listadas na bolsa de valores estadunidense.

    O volume de documentos vazados é tão grande que foi necessário criar um consórcio internacional de veículos de comunicação, responsável por triar o material e dar publicidade a ele.

    Entre as principais revelações vale o destaque para a falta de ação da empresa para preservar a saúde mental dos jovens, mesmo sabendo que as plataformas trazem efeito negativo para esse público.

    Há também relatos de que a Meta manipulou seu algoritmo para forçar a polarização política e relatos da atuação – ou falta de – em casos como o ataque ao Capitólio e na falta de intervenção em discursos antivacina.

    Facebook muda nome para Meta

    Em meio à crise do Facebook Papers, a empresa de Mark Zuckerberg mudou de nome no final de outubro deste ano e agora se chama Meta.

    A mudança não afetou o nome do aplicativo, e vale apenas para a companhia que controla, além do próprio Facebook, o Whatsapp, o Instagram e a Oculus.

    A Meta se coloca como uma “uma empresa de tecnologia social” e foca diretamente no metaverso e sua ambição de combinar realidade aumentada e virtual.

    “Hoje, somos vistos como uma empresa de redes sociais. Mas em nosso DNA somos uma empresa que cria tecnologia para conectar pessoas. E o metaverso é a próxima fronteira, tal como as redes sociais eram quando começamos”, revelou Zuckerberg no comunicado de anúncio.

    O CEO da companhia evitou detalhar questões sobre as investigações que a empresa tem enfrentado e resumiu o movimento dizendo que “sempre haverá” questões do presente para trabalhar: “Eu sei que algumas pessoas acreditarão que essa não é a hora de focar no futuro, e quero reconhecer que há questões importantes para serem trabalhadas no presente. Sempre haverá”.

    Zuckerberg revelou também que a estrutura corporativa não será modificada, apenas a forma com que os resultados financeiros serão compartilhados, divididos entre os aplicativos e a “Reality Labs”, divisão que cuidará dos temas relativos ao metaverso e realidade virtual.

    Desde 1 de dezembro a empresa utiliza a sigla MVRS na bolsa de valores. Junto com a mudança de nome, houve intensa divulgação de conceitos de metaverso, que incluem recursos sociais, jogos e ambiente de trabalho.

    Dobram-se as apostas no metaverso

    Mas, afinal, o que é o metaverso e por que ele é tão importante para a Meta? Especialistas apontam que se trata do futuro da internet, numa experiência de mundo virtual em que pessoas poderão interagir e realizar qualquer atividade, seja de diversão ou profissional, passando por compras e interação social.

    A ideia representa a possibilidade de acessar uma espécie de realidade paralela, em alguns casos ficcional, em que uma pessoa pode ter uma experiência de imersão. Tecnicamente, o metaverso não é algo real, mas busca passar uma sensação de realidade, e possui toda uma estrutura no mundo real para isso.

    O investimento não é exclusividade do Facebook, e vem acompanhado de companhias como Microsoft – com a chegada de avatares 3D para o Teams – e Roblox, que têm investido grandes quantias para disputar com a própria Meta o público e os espaços nesse novo conceito de conexão.

    A ideia é ter no metaverso algo como uma internet 3D, numa experiência extremamente imersiva de interação através da conectividade.

    Contudo, o metaverso de fato ainda não existe, ainda que receba muito dinheiro.

    O termo que dá nome ao conceito surgiu pela primeira vez no livro de ficção científica “Snow Crash”, de Neal Stephenson.

    O metaverso é descrito como um mundo paralelo usado para escapar de uma realidade distópica. Na prática, o metaverso será capaz de reproduzir todos os aspectos da vida em um mundo virtual.

    O grande desafio para que esse mundo seja uma realidade é a cooperação entre as empresas. Meta, Roblox e Microsoft deverão trabalhar em conjunto para garantir a compatibilidade.

    Ainda é incerto apontar o metaverso como o futuro da Internet, mesmo com os maciços investimentos da indústria de tecnologia.

    Executivos desse mercado acreditam que ele não substituirá a web como conhecemos, mas será um complemento a ela, podendo ser acessado por PC, celulares e consoles.

    Um exemplo recente de metaverso é o jogo Fortnite, em que o rapper Travis Scott realizou um show usando um avatar do jogo / Fortnite/Reprodução/YouTube

    Facebook, Whatsapp e Instagram caem e expõem dependência

    Os três principais serviços da empresa de Mark Zuckerberg já haviam enfrentado falhas e instabilidades anteriores, mas nenhuma dessas quedas supera a do dia 4 de outubro, quando WhatsApp, Instagram e Facebook ficaram fora do ar por cerca de seis horas.

    As plataformas estão entre as mais utilizadas no Brasil para comunicação, lazer e negócios. Sua queda, levou a um incontável prejuízo para diversos usuários e empresas, ainda mais se considerarmos a limitação das vendas em lojas físicas por conta da pandemia.

    Especulou-se que a causa da falha nos aplicativos tenha sido motivada por um ataque hacker, o que foi prontamente rechaçado pela Meta, que assumiu a responsabilidade pelo erro.

    Em nota, a empresa atribuiu uma falha a roteadores de backbone: “Nossas equipes de engenharia aprenderam que as alterações de configuração nos roteadores de backbone que coordenam o tráfego de rede entre nossos data centers causaram problemas que interromperam a comunicação. Essa interrupção no tráfego de rede teve um efeito cascata na maneira como nossos data centers se comunicam, interrompendo nossos serviços”

    Brasil realiza leilão do 5G

    Após mais de um ano de discussões e sucessivos adiamentos, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) realizou o leilão de frequências do 5G, na maior venda de espectro já realizada pela autarquia.

    Ao final, o leilão conseguiu arrecadação de R$ 46,7 bilhões e seis novos operadores de telecomunicação no Brasil.

    A compatibilidade com o sinal da TV parabólica, que utilizava a faixa de 3,5GHz até então – a mais usada no mundo para a conexão 5G – bem como a pandemia do novo coronavírus foram entraves para a definição de uma data para o leilão.

    As faixas que vão oferecer o serviço no Brasil foram compradas por 11 operadoras, sendo seis dessas para novos operadores de serviço móvel no país.

    Os vencedores de cada faixa de radiofrequência ficarão responsável por uma contrapartida exigida pelo edital.

    Escassez de chips

    Em contraste com a chegada e expansão do 5G, um fator afetou negativamente a indústria de tecnologia no mundo: a chamada crise dos semicondutores, que influiu diretamente na cadeira de suprimentos da indústria de smartphones, e impactou também os setores de eletrodomésticos, automóveis e até mesmo consoles.

    Há diversos fatores que podem ter gerado essa escassez de chips, que vão desde a guerra comercial entre Estados Unidos e China, eventuais erros de cálculo de fabricantes que estocaram sua produção no início da pandemia e os esforços da indústria na fabricação de componentes mais elaborados, necessários para equipamentos com 5G.

    Isso levou à falta de chips mais simples, que atendem a uma gama maior de produtos.

    Fato é que a pandemia alterou os padrões de consumo para alguns consumidores com o advento maior do trabalho remoto, que os levou a procurar outros equipamentos, aumentando o desequilíbrio da indústria.

    E com as relações comerciais entre EUA e China restritas, houve um aumento da estocagem de chips.

    No mercado de smartphones a crise levou as principais marcas a adotarem políticas mais conservadoras em seus lançamentos, e o que se viu foram celulares com pouca inovação e melhorias pontuais quando comparados aos anos anteriores.

    LG sai do mercado de smartphones

    Ainda no assunto smartphones, após 52 meses de prejuízos acumulados, a LG decidiu abandonar sua divisão de smartphones globalmente.

    A gigante sul-coreana teve posições destacadas no mercado de smartphones na primeira década do século 21, mas passou a sofrer para dar conta de novos entrantes no mercado Android, como Xiaomi e Realme, e viu sua arquirrival Samsung dominar o mercado de smartphones com o sistema operacional do Google.

    O comunicado emitido na época apontou que a decisão de sair permitiria que a empresa canalizasse seus esforços em outros setores, como robótica, eletrodomésticos inteligentes, inteligência artificial e carros elétricos.

    O impacto da medida global afetou diretamente os trabalhadores brasileiros, já que na principal fábrica da empresa, localizada na cidade de Taubaté, no interior de São Paulo, foram 700 demitidos com o fechamento das instalações.

    A empresa paga cerca de R$ 37,5 milhões em indenizações aos funcionários afetados. A unidade de Taubaté também era responsável por fabricar monitores e notebooks, e com o fechamento a produção passou a ser feita em Manaus (AM), onde a empresa já tinha uma unidade, que passou por expansão para dar conta das novas demandas.

    Sony sai do Brasil

    A LG não foi a única multinacional de eletrônicos a se retirar do mercado. Em março a japonesa Sony confirmou sua saída do Brasil, deixando de vender suas TVs, câmeras e produtos de áudio no país, finalizando uma relação de mais de 40 anos de produção nacional com o fechamento da fábrica em Manaus.

    Os únicos produtos que permaneceram sendo comercializados no país são os consoles, com as vendas do Playstation 5 e Playstation 4 permanecendo normalmente. O anúncio da saída da gigante japonesa foi feito em 2020 e as atividades comerciais foram encerradas ao final de março desse ano.

    A saída definitiva da Sony era um movimento esperado desde 2019, quando a empresa deixou de comercializar os smartphones Xperia em abril.

    Os prejuízos registrados na área de eletrônicos levaram a empresa a reduzir custo e aumentar a margem de lucro em áreas de melhor desempenho, como em consoles.

    Microsoft lança Windows 11

    Se os celulares recebem atualizações de software todos os anos, os computadores e notebooks costumam ganhar novas versões em mais tempo. Sete anos após o lançamento da última versão, a Microsoft atualizou o seu sistema operacional para o Windows 11.

    Desde sua oficialização, ainda em outubro, a gigante de Redmond vem promovendo de forma gradual o acesso à plataforma. O objetivo, segundo a própria Microsoft, é colocar o usuário no centro da operação.

    Dois movimentos mostram algumas tendências que a Microsoft deve adotar. O primeiro foi esconder a Cortana, que deixou de ser o elemento central do sistema operacional, e até mesmo o acesso a ela foi dificultado. Com a ascensão do Google Home e, especialmente da Amazon Alexa, a percepção é de que não valeria a pena a concorrência, e a assistente pessoal do Windows sumiu progressivamente.

    O outro movimento é a promessa de adição da possibilidade de download dos aplicativos Android para uso direto no computador. Como Microsoft e Google são concorrentes em sistemas operacionais, será possível baixar esses apps pela loja da Amazon. Talvez por essa parceria, a Cortana tenha saído de cena. Importante dizer que esse recurso ainda não está disponível.

    LGPD avança no Brasil

    A Lei Geral de proteção de Dados entrou em vigor em 2020, mas foi em agosto deste ano que passaram a valer as sanções administrativas. Juntamente elas, foi criada também a Autoridade Geral de Proteção de Dados (ANPD), órgão público federal responsável pela fiscalização do cumprimento da Lei.

    De acordo com o artigo 52 da LGPD, as sanções partem de advertência, com a devida indicação de prazo para medidas corretivas, passa por multa simples, de 2% do faturamento da pessoa jurídica de direito privado e evolui para multa diária e chega à suspensão do exercício da atividade de tratamento dos dados pessoais por seis meses prorrogáveis e proibição do exercício.

    Em um ano que começou com megavazamentos de dados pessoais e acaba com o Ministério da Saúde sendo invadido, a LGPD é mais urgente do que nunca — resta a 2022 vermos se ela será capaz de fiscalizar o suficiente para fazer a Lei ser cumprida.

    Bitcoin bate recordes de alta e de queda

    A Bitcoin continua fazendo muito barulho e atraindo todo tipo de curioso.

    A criptomoeda começou o ano valendo US$ 7.150 e, em 17 de dezembro, está em US$ 46.177. Mas não é possível olhar esses valores isolados.

    Em outubro, a moeda estava rendendo 116% ai abi e era considerada um dos melhores investimentos do ano.

    Dois meses depois, no início de dezembro, a criptomoeda chegou a perder 22% em um dia, com quase US$ 1 bilhão sendo vendido.

    Se há algo que fica claro, mais uma vez, em 2021 é que a criptomoeda, independente de ser bom ou mal investimento, é extremamente volátil.

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