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    Vigilância da pandemia é o mais importante no momento atual, diz infectologista

    Em entrevista à CNN, a médica infectologista Luana Araújo analisou a situação da pandemia da Covid-19 na China

    Vinícius TadeuLuana Franzãoda CNN

    Em São Paulo

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    Em entrevista à CNN, a médica infectologista Luana Araújo analisou a situação da pandemia da Covid-19 na China, que estabeleceu medidas para minimizar a transmissão do vírus em cidades como Pequim e Xangai.

    Em Xangai, a maior cidade chinesa e um de seus principais polos econômicos, um lockdown rigoroso e extenso completa quatro semanas – nesta quinta-feira (28), o menor número de casos em 24 dias foi registrado no local. O governo local decidiu mudar a estratégia para o combate do coronavírus, focando na vacinação de idosos, população que está 60% vacinada. No entanto, Araújo aponta que essa pode não ser o movimento mais inteligente neste momento da pandemia na China.

    “A cobertura vacinal pode chegar a 60%, mas ela é feita com uma vacina cuja tecnologia nós sabemos que nessa população específica de idosos – que responde menos a estímulos vacinais – não é a mais adequada. Então, a gente sabe que essa é uma grande falha da cobertura [vacinal] chinesa e que pode colocar uma população enorme em risco”, afirmou a especialista. “Essa é uma grande lição que temos que aprender por aqui: qual a melhor vacina para cada público?”

    Na avaliação de Araújo, medidas para barrar a transmissibilidade da doença, apesar de importantes, podem ser menos eficientes do que em momentos anteriores da pandemia, devido ao espalhamento de variantes cada vez mais transmissíveis da doença, como a Ômicron. Atualmente, projetos de vigilância podem ser mais inteligentes para evitar novos surtos de Covid-19 do que políticas como as mais restritivas como a “Covid zero” exercida na China.

    “Com a evolução do vírus para variantes cada vez mais transmissíveis, houve uma incompatibilidade cada vez maior com a política de Covid zero (…) O mais importante disso tudo não é exatamente a política em relação à transmissibilidade de casos, mas principalmente em relação à vigilância: é entender o que está acontecendo, se estão aparecendo novas variantes, se elas ameaçam a estrutura que a gente tem agora”, explicou.

    Ela ainda declarou que as políticas de contenção da pandemia devem ser diferentes para adequar-se à realidade de cada país. “É diferente de quando tínhamos uma população completamente vulnerável. Hoje nós temos graus diferentes de vulnerabilidade, a depender das populações no mundo por conta das coberturas vacinais”.

    “A pandemia é um organismo praticamente vivo, e a gente tem que entender isso”.

    Para ela, é preciso adaptar as medidas de restrição à realidade da doença neste momento, e não abandoná-las em países onde a transmissão encontra-se em baixa. “A redução do número de testes, a inviabilidade da vigilância genômica adequada, a incapacidade de lidar com os dados relativos à pandemia de uma maneira séria, constante e com visão para o futuro, para que a gente consiga lidar com isso de maneira a prevenir novas ondas ou novas pandemias, nos coloca numa situação extremamente vulnerável. Não falar de uma doença não significa que ela não exista, editar decretos fingindo que não há perigo não as tira do nosso cenário”, afirmou.

    “Saúde pública não é simplesmente doença ou medicina, é comportamento populacional”, completou a médica infectologista.

    *Sob supervisão

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