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    Quarentena de cinco dias para viajantes é medida frouxa, diz epidemiologista

    Carla Domingues, ex-coordenadora do Programa Nacional de Imunizações, ressaltou a importância da vacinação e medidas de prevenção contra a Covid-19

    Duda CambraiaTiago Tortellada CNN

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    Em entrevista à CNN, a epidemiologista e ex-coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI) Carla Domingues disse que a quarentena obrigatória para viajantes não vacinados que vierem ao Brasil não é uma medida eficaz para prevenir a disseminação do coronavírus.

    De acordo com Domingues, a apresentação de um comprovante de vacinação na entrada do país já é algo adotado em outros lugares do mundo, visando proteger a população.

    “Como vamos prevenir novas variantes e garantir que não haja surto principalmente em locais que já estão com a epidemia controlada? Garantindo que tanto a população interna do país esteja devidamente vacinada quanto aqueles que entrarem no país também comprovem a vacinação. Essa é uma medida que todos os países devem adotar”, afirmou a epidemiologista.

    Assim, para Domingues, a quarentena de cinco dias não é suficiente, pois essas pessoas ainda teriam circulariam pelo país. Ela explicou que estudos científicos apontam que o período de transmissibilidade do coronavírus é de 10 dias. Então, esse seria o tempo mínimo para um isolamento “adequado, correto e com vigilância”.

    “A decisão do governo é uma medida muito frouxa, pois é uma vacinação voluntária. Não sabemos se a quarentena vai funcionar”, disse a epidemiologista. “Nós temos que controlar o acesso ao país fazendo com que as pessoas tenham exame negativo e a vacinação adequada, e que a população interna brasileira complete o esquema vacinal, tendo a segunda dose e a terceira dose aqueles que já tem a chance de recebê-la”, completou.

    De acordo com Domingues, os estados não têm condição de fiscalizar a quarentena, o que exigira que os viajantes cumprissem o isolamento de forma voluntária.

    “Não temos estrutura para isso (fiscalização). Por isso, o mais lógico neste momento é cobrar o passaporte da vacinação na entrada”, afirmou.

    Ela também ressaltou a importância do uso de máscaras. “A máscara não pode ser abolida neste momento, e, principalmente quando nós estivermos em locais com aglomerações, nós precisamos garantir que as pessoas estejam devidamente vacinadas. Então esse passaporte da vacinação também deve ser exigido no Brasil e locais aonde terá alguma aglomeração.”

    Variantes e Réveillon

    Como explicou Carla Domingues, o surgimento de uma nova variante depende de duas condições fundamentais: grande quantidade de pessoas sem ter a vacinação adequada e aglomerações.

    Ela ressalta que aumentar a cobertura vacinal é o grande desafio, e lembra que a média de 65% com as pessoas imunizadas é nacional. Alguns estados e municípios apresentam um índice muito menor.

    As festas de fim de ano, de acordo com a epidemiologista, não são seguras por este motivo.

    “Nessa velocidade de imunização não teremos a população vacinada [a tempo das festas]. É preciso que a população entenda que, para voltar às aglomerações, é necessário ter a população protegida”, disse Domingues.

    Outro ponto importante para evitar a nova variante é completar o ciclo vacinal com a terceira dose.

    Quanto à variante Ômicron, Domingues explica que ela tem alto poder de transmissão, mas não mostrou, ainda, desenvolver casos graves. Porém, é importante manter o monitoramento da nova cepa, “principalmente quando ela for a principal nos países”. Atualmente, ela tem baixa circulação registrada.

    A ex-coodenadora do PNI também relaciona os surtos de gripe à baixa cobertura vacinal.

    “Os surtos de influenza aconteceram porque as pessoas negligenciaram a vacinação contra o vírus da gripe. Não podemos achar que a imunização contra a Covid é prioritária e que o resto pode ser negligenciado”, concluiu.

    Veja a entrevista completa no vídeo acima

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