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    Estudo aponta probabilidade de surgimento de variantes mais nocivas do coronavírus

    A partir de análise de mais de 150 pesquisas, especialistas explicam como o vírus tem se adaptado para se manter em circulação entre humanos

    Sequenciamento genômico permite a identificação de novas variantes
    Sequenciamento genômico permite a identificação de novas variantes Josué Damacena/IOC/Fiocruz

    Lucas Rochada CNN

    em São Paulo

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    Desde o surgimento da variante Ômicron, em novembro de 2021, o novo coronavírus continuou a evoluir, dando origem a muitas linhagens descendentes e recombinantes. A Organização Mundial da Saúde (OMS), que realiza o monitoramento contínuo das diferentes linhagens, afirmou nesta semana que a diversificação genética da Ômicron indica uma pressão do vírus pela adaptação aos hospedeiros humanos.

    Embora países estejam flexibilizando as medidas de prevenção contra a doença, especialistas preveem que novas variantes do coronavírus podem surgir nos próximos meses, driblando a capacidade do sistema imunológico.

    É o que aponta um estudo conduzido por pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com o Instituto de Química e o Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo.

    A pesquisa, publicada na revista Viruses, faz uma revisão de mais de 150 artigos sobre o SARS-CoV-2, vírus causador da Covid-19. Foram analisados diversos aspectos do vírus, como o potencial de mutação, a capacidade de controle do sistema imune, a transmissibilidade e os impactos para a eficácia das vacinas.

    “A principal conclusão a que chegamos é que não devemos deixar o vírus circular, porque não sabemos como serão as variantes nos próximos meses”, afirma Cristiane Guzzo, professora da USP e pesquisadora principal do artigo.

    Segundo a especialista, a pandemia ainda requer medidas de emergência em saúde pública. “Estamos em uma situação confortável para os próximos meses – quando a imunidade criada pelas doses de reforço das vacinas e pelo alto índice de contaminação da Ômicron permanecerá alta. Mas depois a tendência é que as pessoas comecem a se infectar novamente”, diz Cristiane.

    No estudo, foi observado que o coronavírus pode apresentar uma capacidade de mutação ainda maior do que o previsto. A explicação está na constatação de que a proteína Spike, responsável pelo contato do vírus com as células humanas, permanece em evolução.

    “Identificamos em primeira mão que 9,5% das mutações produzidas pelas variantes estão localizadas na região N Terminal (NTD) da proteína. Isso mostra que estas mutações não estão diretamente associadas à interação ao receptor humano ACE2, mas afeta principalmente a capacidade dos anticorpos humanos reconhecerem o vírus”, afirma a pesquisadora.

    Os especialistas também identificaram um número expressivo de mutações (7,7%) localizadas em uma região que interage com o receptor humano, chamada RBD. Possíveis modificações nessa região poderiam trazer impactos para a eficácia das vacinas disponíveis atualmente.

    “O vírus vem evoluindo com o objetivo de se manter vivo e para isso ele está se modificando principalmente para burlar a ação dos anticorpos e conseguir infectar o ser humano”, afirma.

    No estudo, foram identificados seis mecanismos que a proteína Spike adquiriu, que podem promover um aumento na capacidade de transmissão viral, incluindo a ampliação da afinidade com os receptores humanos e o aumento significativo da quantidade de proteínas Spike na superfície de cada partícula viral.

    No artigo, os pesquisadores destacam que outras proteínas do vírus além da Spike também estão se modificando. As mudanças podem levar ao aumento da taxa de multiplicação viral nas células humanas.

    O conjunto de mutações observadas na proteína Spike pode sugerir que o novo coronavírus tenha capacidade de evoluir para infectar outras células, além das pulmonares.

    De acordo com a pesquisa, o período em que as pessoas começam a transmitir o vírus tem se iniciado cada vez mais cedo conforme as variantes surgem, antes mesmo do início dos sintomas.

    “Vimos que 74% das transmissões pela variante Delta foram feitas por assintomáticos. Na variante original, as pessoas começavam a transmitir o vírus um dia antes do início dos sintomas. Já na Delta, isso passou a acontecer com dois dias de antecedência. São detalhes que mostram que o vírus está evoluindo na sua capacidade de se esconder em nosso organismo”, detalha.

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