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    Especialistas não têm certeza se a Covid-19 já é uma doença endêmica

    Alguns cientistas estão preocupados com o fato de nossa compreensão de "endemia" estar longe da realidade

    Ilustração em 3D do coronavírus
    Ilustração em 3D do coronavírus NEXU Science Communication/via REUTERS

    Dr. Sanjay Guptada CNN*

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    As restrições ao coronavírus estão desaparecendo a cada semana em grande parte do mundo, à medida que mais países ocidentais reduzem suas restrições restantes e avançam em direção a uma política de viver com a Covid-19.

    A variante Ômicron mais transmissível, mas menos grave — e sua subvariante, BA.2 — desempenharam um grande papel nesse cálculo, convencendo muitos líderes de que o Covid endêmico está à vista.

    Mas o que isso significa? Alguns cientistas de alto nível estão preocupados com o fato de nossa compreensão de “endemia” estar longe da realidade.

    “Acho que fizemos um grande desserviço usando a palavra ‘endêmica’, francamente”, disse Michael Fraser, diretor executivo da Associação de Autoridades de Saúde Estaduais e Territoriais dos EUA, a uma plateia composta principalmente por funcionários de saúde pública durante um painel de discussão no 2022 Preparedness Summit em Atlanta.

    “Não é bem compreendido. Não é preciso”, disse ele. “Existem doenças endêmicas que matam 400 mil pessoas por ano, como a malária… e há doenças endêmicas como herpes ou HSV-1 que estão em metade da população e talvez você tenha uma afta.”

    Endemia refere-se à presença constante ou “prevalência usual de uma doença ou agente infeccioso” entre uma população dentro de uma área geográfica, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA.

    Mas pode ser um termo muito simplista para se aplicar à Covid agora.

    “Não parece se encaixar”, disse Lori Tremmel Freeman, diretora executiva da Associação Nacional de Autoridades de Saúde do Condado e da Cidade, à CNN no evento. “Nenhum termo realmente pode ser plugado e tocado.”

    “Não temos todas as peças desse quebra-cabeça da Covid“, disse ela. “Parece uma narrativa falsa falar sobre o fim. Podemos planejar isso, mas temos que estar prontos para voltar às medidas se virmos outra variante ou outra onda.”

    É uma discussão urgente, dado que o mundo ocidental está se movendo – embora em velocidades diferentes – em direção a um conjunto de medidas e regras pré-pandemia.

    Os países europeus encerraram “brutalmente” suas restrições no início deste ano, disse a Organização Mundial da Saúde (OMS), e em abril a Alemanha reduziu as regras de uso de máscaras e o Reino Unido abandonou todas as suas medidas de restrição.

    Enquanto isso, os EUA podem retirar a obrigatoriedade de máscara nos aeroportos e nos voos.

    Então, qual é a resposta, de acordo com os especialistas? Em vez de usar “endêmico”, disse Fraser, os líderes de saúde pública devem se concentrar em como pode ser o “gerenciamento sustentado” da Covid-19.

    Isso significa explorar opções como doses anuais de reforço, manter algumas medidas de prevenção reservadas para futuros surtos — e monitoramento constante de onde, quando e como o vírus está se espalhando.

    “Nós tendemos a pensar em endemia como realmente apenas uma doença esperada que está circulando por aí”, disse Janet Hamilton, diretora executiva do Conselho de Epidemiologistas Estaduais e Territoriais, durante o painel.

    “Isso é definitivamente o que a Covid vai ser — mas a parte ‘esperada’ ainda é, eu acho, uma grande questão a ser discutida”, disse ela.

    Com informações de Jacqueline Howard, da CNN

     

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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