Molica: Com votos cada vez mais restritos, Bolsonaro terá cenário complicado em 2022

No quadro Liberdade de Opinião desta sexta-feira (17), Fernando Molica analisa os números da pesquisa Datafolha para a corrida ao Planalto em 2022

Fabrizio Neitzkeda CNN

Em São Paulo

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No quadro Liberdade de Opinião desta sexta-feira (17), Fernando Molica falou sobre a pesquisa do Datafolha divulgada na véspera com as intenções de voto para as eleições presidenciais de 2022 e a rejeição dos pré-candidatos.

No levantamento estimulado de intenção de voto, no qual são apresentados os possíveis nomes, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera com 48%. O ex-presidente é seguido por Jair Bolsonaro (PL), com 22%. Sergio Moro (Podemos) aparece na terceira posição com 9%. Ciro Gomes (PDT) tem 7%; João Doria (PSDB), 4%. Nulos e brancos somam 8%, enquanto o índice para os que ainda não sabem chega a 2%.

“Ainda falta muito tempo para a eleição, temos 10 meses até chegar. É um grande favoritismo do ex-presidente Lula, ele seria eleito no primeiro turno”, destacou Molica, relembrando que, desde a redemocratização, apenas Fernando Henrique Cardoso (PSDB) conseguiu se eleger desta forma.

“O que temos ainda é uma polarização entre Lula e Bolsonaro. Não houve uma decolagem da candidatura de Moro, ainda não chega a ameaçar e não sabemos se vai chegar ao [patamar de] Bolsonaro”, disse.

Molica também falou da pré-candidatura do ex-governador do Ceará, Ciro Gomes, e do atual governador de São Paulo, João Doria. Ambos se apresentam como nomes da terceira via, mas permanecem com intenção baixa em todas as pesquisas.

“É uma situação muito difícil para Ciro Gomes e João Doria. Ciro acaba sendo imprensado pelo crescimento da candidatura do Lula, fica uma situação complicada para ele e, dentro do PDT, já há pressão para que desista da candidatura. Doria também tem essa obrigação, essa tentativa de mostrar viabilidade nessa disputa eleitoral”, completou.

Para Molica, Lula vem tentado acenar ao centro político e à centro-direita se aliando com Geraldo Alckmin, que anunciou a saída do PSDB esta semana após 33 anos na sigla. O comentarista destacou que essa postura já foi adotada anteriormente pelo petista, quando, em 2002, escolheu José Alencar (PL e PRB) como vice na chapa que chegou ao Planalto. “À exemplo do que ele fez na primeira candidatura, Lula tenta mostrar uma ideia de moderação, de respeito aos contratos e possibilidade de pacificação do país.”

Ainda segundo o jornalista, chama a atenção a diferença nas pesquisas estimulada e livre – onde o nome dos candidatos não são apresentados ao eleitor. “A declaração espontânea põe o Lula com 32% e Bolsonaro com 18%. Na estimulada, Lula sobe para 48%. Ou seja, além do voto consolidado, ele cresce muito. Já o Bolsonaro demonstra ter o voto ‘bolsonarista’, sobe apenas para 22% quando o nome dele é apresentado.”

“A pesquisa mostra que Jair Bolsonaro está ficando cada vez mais restrito ao bolsonarismo e isso dificulta muito a eleição dele, mesmo que chegue ao segundo turno”, ressaltou.

O Liberdade de Opinião teve a participação de Fernando Molica e Ricardo Baronovsky. O quadro vai ao ar diariamente na CNN.

As opiniões expressas nesta publicação não refletem, necessariamente, o posicionamento da CNN ou seus funcionários.

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