“Com chegada de Bolsonaro, PL não é mais de centro-direita”, diz Marcelo Ramos

TSE (Tribunal Superior Eleitoral) autorizou a desfiliação do vice-presidente da Câmara dos Deputados, nesta terça-feira (21)

Artur Nicocelido CNN Brasil BusinessProduzido por Jorge Fernando Rodrigues

São Paulo

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Em entrevista à CNN, o deputado e vice-presidente da Câmara dos Deputados, Marcelo Ramos (sem partido), afirmou que a chegada do atual presidente Jair Bolsonaro (PL) ao Partido Liberal mudou a linha política. “Com sua chegada, o PL não é mais de centro-direita, está perto de algo mais extremista”, comenta.

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) autorizou a desfiliação de Ramos nesta terça-feira (21). Essa é a primeira ação ajuizada após a mudança constitucional aprovada pelo Congresso que considera a carta de anuência como motivadora de desfiliação. “Acredito que isso abrirá portas para que outras cartas justificadas com um verdadeiro “porque” sejam reconhecidas pelo Supremo”.

Ramos destacou ainda que “não me cabe nessa nova linha programática com a entrada de Bolsonaro”. O deputado disse que tem um diálogo aberto com o partido. “Saí pela porta da frente”.

O vice-presidente da Câmara dos Deputados afirmou ainda que possui segurança jurídica, pois, – apesar de sua saída precisar ser confirmada pelo plenário -, sua desfiliação foi pactuada com o partido.

“Eu não posso embarcar em um projeto que não acho correto para o futuro do Brasil”, disse ainda. “Eu não posso me acomodar em um oportunismo eleitoral”.

Sobre a futura filiação, o deputado destacou que tomará uma decisão somente no ano que vem. “Preciso esperar um quadro mais claro, não quero correr o risco de me filiar a um partido que resolva apoiar Bolsonaro”, diz.

Desfiliação

O vice-presidente da Câmara teve sua desfiliação do Partido Liberal reconhecida em liminar publicada nesta terça-feira pelo ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Segundo a liminar, “o teor da carta é, ainda, coerente com a narrativa do autor, no sentido de que sua relação com o partido se desgastou após a filiação do presidente da República ao PL, tal como ilustrado pelas declarações públicas de dirigentes locais a respeito da inadequação do requerente à nova configuração política do partido”.

*Com informações de Isabela Filardi, da CNN

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