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    Após denúncias, Câmara cria comissão para acompanhar situação do povo ianomâmi

    Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Ye’kuana (Condisi-YY) denunciou a morte de uma menina indígena de 12 anos, que teria sido estuprada por garimpeiros

    Comunidade em Aracaçá, em Roraima, onde ficava aldeia com indígenas ianomâmi
    Comunidade em Aracaçá, em Roraima, onde ficava aldeia com indígenas ianomâmi Reprodução/Codisi-YY

    Luciana Amaralda CNN

    em Brasília

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    O plenário da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quinta-feira (5), a criação de uma comissão externa da Casa para acompanhar a situação do povo ianomâmi após denúncias de violência contra os indígenas.

    Na última semana, o Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Ye’kuana (Condisi-YY) denunciou a morte de uma menina indígena de 12 anos, que teria sido estuprada por garimpeiros. O crime teria ocorrido na região de Waikás, em Roraima, uma das áreas afetadas pelo garimpo ilegal. Uma outra criança também teria desaparecido.

    Após as denúncias, a Polícia Federal (PF), o Ministério Público Federal (MPF), a Fundação Nacional do Índio (Funai) e a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) foram até o local, mas encontraram a comunidade queimada e vazia.

    Em nota conjunta divulgada em 28 de abril, os órgãos informaram que não foram encontrados indícios da prática dos crimes de homicídio e estupro ou de óbito ou afogamento, mas que as diligências continuam em busca de esclarecimentos.

    Em vídeo encaminhado à CNN em 29 de abril, o presidente do Condisi-YY, Júnior Hekurari Yanomami, relatou que a comunidade em Aracaçá, em Roraima, foi queimada e abandonada pela maioria de seus moradores.

    Segundo ele, o corpo da menina que foi morta na aldeia também foi queimado como parte das tradições da etnia ianomâmi.

    O requerimento para a criação da comissão da Câmara foi apresentado ontem pelas deputadas federais Erika Kokay (PT-DF) e Joenia Wapichana (Rede-RR), única parlamentar indígena, e aprovado hoje no plenário da Casa.

    Para Wapichana, a comissão deve se aprofundar nos relatos colhidos até o momento e obter mais informações sobre a situação dos ianomâmi.

    “Encontramos crianças, adolescentes e mulheres que estão sendo trocadas por mercadorias, estão sendo expostas a um uma situação que ninguém precisaria passar, se tivesse proteção”, disse.

    “Precisamos lembrar que são cidadãs e cidadãos brasileiros também que estão ali na terra ianomâmi. São indígenas que têm sua própria forma de se organizar, mas que estão expostos à vulnerabilidade diante de invasões de suas terras, por garimpo ilegal, por madeireiras e por outros crimes que denunciamos constantemente. Essa situação ultrapassou, porque agora essas denúncias estão chegando sobre crianças, crianças que não têm essa proteção”, completou.

    No requerimento, Kokay e Wapichana sugerem que a comissão seja formada pelos seguintes deputados:

    • Erika Kokay (PT-DF);
    • Joenia Wapichana (Rede-RR);
    • Airton Faleiro (PT-PA);
    • Aliel Machado (PV-PR);
    • Bacelar (PV-BA);
    • Bira do Pindaré (PSB-MA);
    • Camilo Capiberibe (PSB-AP);
    • Glauber Braga (Psol-RJ);
    • José Ricardo (PT-AM);
    • Orlando Silva (PCdoB-SP);
    • Tereza Nelma (PSD-AL);
    • Túlio Gadêlha (Rede-PE);
    • Vivi Reis (Psol-PA).

    “A Polícia Federal já fez uma série de operações contra a invasão de garimpeiros, no entanto, a falta de resposta permanente do Estado à altura do problema e de um plano de proteção e fiscalização perene para a maior terra indígena do país, possibilitou que os garimpeiros ilegais se reorganizassem e, passassem a operar em redes de organizações criminosas e que tem aumentado a sua presença dentro desta terra indígena”, consta no texto apresentado pelas deputadas.

    Nesta semana, a Comissão de Direitos Humanos do Senado aprovou um requerimento que prevê a realização de diligências externas para apurar denúncias sobre o avanço do garimpo ilegal no território ianomâmi em Roraima.

    O pedido é de autoria do senador Humberto Costa (PT-PE) e a visita dos senadores está prevista para 12 de maio.

    A Terra Indígena Ianomâmi é a maior reserva do tipo no país, com mais de 10 milhões de hectares distribuídos entre os estados do Amazonas e Roraima; são mais de 28,1 mil indígenas que vivem na região.

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