Racismo está nas estruturas da sociedade, diz advogada

Em entrevista à CNN, Mylene Ramos Seidl afirmou que injúria racial também é racismo

Juliana AlvesZeinab Bazzida CNN

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No ano passado, após o mundo todo ser palco de protestos antirracistas, empresas passaram a adotar estratégias para dar visibilidade ao movimento.

Grandes marcas começaram a entender que não basta não ser racista, é preciso adotar uma postura antirracista. E foi isso que fizeram: criaram processos seletivos voltados a negros e pardos, por exemplo.

Segundo a advogada Mylene Ramos Seidl, consultora em diversidade e inclusão e juíza do trabalho aposentada, o racismo estrutural é um grande problema para o Brasil. “Nós tivemos mais de três séculos de regime escravocrata, esses três séculos tiveram um suposto término há 133 anos e deixou muitas marcas dentro da nossa sociedade”, disse ela em entrevista à CNN.

“É por isso que a gente pode hoje falar em racismo estrutural, mas é justamente essa forma, esse racismo que você encontra nas estruturas da sociedade que fazem com que pessoas negras ou de grupos etnicamente discriminados, negros, indígenas, tenham então uma desvantagem em relação aos demais grupos.”

Dados do IGBE mostram que menos de 3% de mulheres e homens negros alcançam posições de chefia ou gerência no Brasil – chegando a ser 3 vezes menos que os brancos.

 Esses números são preocupantes, mas são justamente o reflexo do racismo que estrutura a sociedade brasileira. Desde a hora de nascer até a hora de morrer, você, sendo uma pessoa negra no Brasil, se depara com o racismo e com os desafios que o racismo te coloca.

Mylene Ramos Seidl
Mylene Ramos, advogada (20.nov.2021) / CNN /Reprodução

Recentemente, uma lei igualou a injúria racial e o racismo — e representou uma conquista para o movimento antirracista. “A equiparação desses crimes faz com que o sistema de justiça possa operar, efetivamente, nos casos de injúria racial. A forma de tratamento legal entre um crime e outro não se justificava porque a injúria racial é um crime de racismo. Não existe pessoa negra que se depare com uma situação em que uma outra pessoa negra está sendo ofendida, está sendo injuriada em razão da sua etnia, da sua raça, da cor da sua pele, e que não vá se sentir ofendida com aquela atitude, com aquela agressão que ultrapassa a honra do ofendido e atinge toda uma coletividade”, acrescenta Mylene.

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