Prefeitura de São Paulo anuncia cancelamento do Réveillon

Anúncio foi feito pelo prefeito Ricardo Nunes, em Nova York. Vigilância Sanitária orientou decisão

Léo LopesGiovanna Galvanida CNN*

em São Paulo

Ouvir notícia

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, anunciou nesta quinta-feira (2) o cancelamento do Réveillon na capital paulista.

Ricardo Nunes está em viagem a Nova York acompanhado do governador do estado de SP, João Doria (PSDB), e confirmou o cancelamento em uma entrevista coletiva.

Dessa forma, a cidade se une a pelo menos outras 19 capitais brasileiras que optaram por não realizar a festa da virada de 2021 para 2022.

“É importante enfatizar que não é por conta de ter sido detectado algo grave, mas é necessário que se faça um monitoramento, e o prazo ficaria muito curto”, disse o prefeito sobre o Réveillon.

Segundo Nunes, será a Vigilância Sanitária que irá balizar todas as decisões do gênero, incluindo sobre a realização do Carnaval.

“Para o Carnaval, tomaremos a decisão mais adiante, enfatizando muito claramente: baseado nas decisões da vigilância sanitária. A Prefeitura não fará ação ou comunicação que seja por pressões adversas aos estudos da vigilância”, declarou Ricardo Nunes.

O uso das máscaras também permanece obrigatório na capital paulista, afirmou Nunes. A âmbito estadual, também foi derrubada a expectativa de desobrigar o uso da proteção a partir do dia 11 de dezembro, confirmou o governo de João Doria nesta quinta.

Recomendação da vigilância sanitária

A Prefeitura acatou a orientação recomendada pela vigilância sanitária, que realizou um estudo para avaliar a situação epidemiológica da cidade. O prefeito comentou sobre o estudo durante a coletiva:

“Nós, como representantes do executivo, nos cabe repassar o que a vigilância decidiu, estamos sempre seguindo a vigilância. É um estudo muito amplo, mais de 15 mil pessoas monitoradas. Evidentemente o que pesou muito foi a questão da nova variante Ômicron“, afirmou.

Os resultados do estudo já tinham sido antecipados à CNN pelo secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido.

A análise feita pela Coordenadoria de Vigilância em Saúde (COVISA), da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de São Paulo, pontuou que ainda não está claro se a nova variante do coronavírus Ômicron é mais transmissível, ou se causa Covid-19 mais grave. Mas indicou que “evidências preliminares” sugerem risco aumentado de reinfecção.

O estudo recomendou um “fortalecimento da vigilância genômica para identificação da circulação de novas variantes”. A vigilância também pediu que viagens não essenciais sejam evitadas, principalmente para locais onde a nova variante tem incidência significativa.

“Indicadores epidemiológicos e assistências seguem estáveis, no entanto, considerando o fato novo – surgimento da variante Ômicron –, […] já com diagnóstico em vários continentes e casos confirmados nesta capital de São Paulo, neste momento recomendamos: manter o uso de máscaras obrigatório; intensificar o processo de imunização da população”, concluiu o estudo.

Antecipação da dose de reforço

Após a análise da vigilância, a capital solicitou à Anvisa uma redução no intervalo de aplicação da dose de reforço. A proposta é que a dose extra possa ser aplicada quatro meses, e não cinco, após o cidadão, maior de 18 anos, completar o ciclo vacinal.

Em ofício enviado ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, ao presidente da AnvisaAntonio Barra Torres, e ao secretário estadual de Saúde, Jean Gorinchteyn, a Prefeitura de São Paulo citou a “não obrigatoriedade, até o momento de apresentação do passaporte de vacinas aos estrangeiros que adentram o país”, para realizar a “autorização excepcional e extraordinária” ao órgão.

O documento foi assinado pelo secretário municipal de Saúde e pelo coordenador da COVISA, Luiz Artur Vieira Caldeira.

“Ainda tem tempo para se organizar para o Carnaval”

Na quarta-feira (1), o secretário Edson Aparecido declarou também à CNN que 1 milhão de paulistanos que poderiam ter tomado a dose de reforço não compareceram ainda aos postos de vacinação.

Segundo Aparecido, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, também concordaria que “a maneira mais eficaz de combater a nova variante é avançarmos na vacinação da dose de reforço”, declarou o secretário.

“Nós vamos nos basear, como sempre fizemos, nos estudos da Vigilância Sanitária. O estudo da Vigilância Epidemiológica do município vai ditar exatamente a decisão com relação a questão do Réveillon. O Carnaval é daqui a três meses. Tem muito tempo ainda para se organizar”, declarou Aparecido.

* Com informações de Douglas Porto, da CNN

Mais Recentes da CNN