PF realiza nova operação em SP contra desvio de recursos públicos na saúde

Para os investigadores, organização "sem capacidade técnica" teria recebido mais de R$ 300 milhões nos últimos três anos para administrar unidades de saúde

Primeira fase da Operação Contágio foi realizada em 20 abril deste ano, nas mesmas cidades paulistas
Primeira fase da Operação Contágio foi realizada em 20 abril deste ano, nas mesmas cidades paulistas Foto: Divulgação/ Polícia Federal

João de Marida CNN

Em São Paulo

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A Polícia Federal (PF) realizou nesta terça-feira (23) a segunda fase da Operação Contágio, que apura desvios de recursos públicos na área da saúde nos municípios de Hortolândia, Embu das Artes e Itapecerica da Serra, todos no estado de São Paulo.

Segundo os investigadores, a Organização Social de Saúde (OSs) que administrava algumas unidades de atendimento médico destes municípios “não possui capacidade técnica para gerir contratos de saúde complexos”.

Apesar disso, segundo a PF, a organização teria recebido mais de R$ 300 milhões em recursos públicos nos últimos três anos.

“Conforme a apuração realizada pela Controladoria-Geral da União (CGU) e pela PF, o esquema consistia no superfaturamento do fornecimento de bens e serviços, como plantões médicos e medicamentos, além da realização de serviços simulados, como de assessoria”, diz trecho de comunicado da PF.

Foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 20 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal de São Paulo e pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3).

Segundo a PF, entre os presos estão dois médicos que seriam alguns dos principais dirigentes da OS. Também foram apreendidos mais de R$ 200 mil em espécie na residência dos investigados.

Além disso, foi decretado o bloqueio e apreensão de mais de R$ 40 milhões, incluindo contas bancárias, imóveis, veículos e uma lancha de luxo.

“Foi também determinada a suspensão da atividade econômica de algumas empresas subcontratadas, pois há indícios de que eram utilizadas exclusivamente para a prática de crimes”, diz outro trecho da nota.

Reparação aos cofres públicos

A primeira fase da Operação Contágio foi realizada em 20 abril deste ano, nas mesmas cidades paulistas. Os investigadores também suspeitavam de desvios das verbas destinadas ao combate do novo coronavírus.

Dois dias depois, a Polícia Federal apreendeu quase R$ 500 mil em uma sala secreta da OS em Cotia (SP). Segundo os investigadores, “as pessoas flagradas transportando esses valores também são alvos da operação de hoje”.

“Nesta nova fase, o enfoque está na lavagem do dinheiro desviado da saúde e na reparação do prejuízo aos cofres públicos. Até o momento, já foi identificado que cerca de dezoito milhões de reais foram sacados em espécie por um guarda civil municipal”, concluiu.

(*Com informações de Murillo Ferrari, da CNN, em São Paulo)

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