Especialistas falam sobre a importância do empreendedorismo na luta antirracista

Dados do IBGE e do Instituto Locomotiva mostram que 56% da população se considera preta ou parda e que há mais de 14 milhões de empreendedores negros no Brasil

Talita AmaralZeinab Bazzida CNN

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O racismo estrutural continua presente no Brasil – mesmo após 133 anos da abolição da escravatura. Essa desigualdade está presente em diversas áreas da sociedade, incluindo o empreendedorismo.

Dados do IBGE e do Instituto Locomotiva apontam que 56% da população se considera preta ou parda e que há mais de 14 milhões de empreendedores negros no Brasil – um mercado que movimenta cerca de R$1,73 trilhão por ano.

Em entrevista à CNN, Nina Silva, CEO do Movimento Black Money, disse que o racismo estrutural também se manifesta nos espaços de poder (como as grandes empresas). “Todos esses espaços onde há influência do capital não são espaços enegrecidos porque não somos donos e donas dos meios de produção”, conta. “Mulheres negras possuem 40% da renda básica de homens brancos, assim como homens negros que estão nessa mesma base. A diferença é que o homem negro recebe cerca de 55% do salário de um homem branco.”

Nina Silva, CEO do Movimento Black Money (20.nov.2021) / CNN / Reprodução

Com o Movimento Black Money, Silva criou um hub de inovação com startups e projetos sociais voltados ao empreendedorismo negro a partir da autonomia. “A máxima do Black Money é girar e gerar riqueza por mais tempo dentro da comunidade negra para que a gente possa gerar melhor empregabilidade, possibilidade de negócios, e também um diálogo amplificado no ecossistema hoje.”

A gente cobra que essa inclusão e essa diversidade sejam trabalhadas, também, em toda a cadeia de valor, não somente no quadro colaborativo das empresas.

Nina Silva

A antropóloga, escritora e historiadora Lilia Schwarcz apontou para o problema estrutural presente desde a formação da sociedade brasileira, “o Brasil foi o país que teve a mais larga experiência com a escravidão mercantil.”

Lilia Schwarcz, antropóloga, escritora e historiadora (20.nov.2021) / CNN / Reprodução

A escravidão produziu uma linguagem da diferença e uma linguagem da desigualdade. Essa linguagem não foi alterada pela nossa abolição, o Brasil que recebeu metade da população africana que saiu forçadamente do seu continente, essa população nunca teve direitos iguais.

Lilia Schwarcz

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