Consultora de diversidade: Sem as cotas raciais, eu com certeza não estaria aqui

CNN Plural traz histórias de superação diante do racismo no Brasil

Da CNN

em São Paulo

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A consultora e palestrante de diversidade, equidade e inclusão, Arlane Gonçalves, fez vestibular para cursar Engenharia da Computação e, na primeira vez, não foi aprovada. Na segunda tentativa, por meio da lei de cotas, Arlane entrou na universidade.

À CNN, a consultora conta que, posteriormente, trocou de curso e se graduou em Administração. Depois,  assumiu o cargo de Costumer Service na Suzano, indústria de papel e celulose, e se tornou a única negra em um cargo de liderança na empresa.

Sem as cotas raciais, eu posso dizer com muita certeza que eu não estaria aqui. Eu não teria acessado as oportunidades que eu tive. Eu dificilmente teria cursado o ensino superior ou talvez até tivesse cursado, mas não em uma universidade tão bem conceituada quanto a Universidade Federal de Goiás (UFG).

Arlane Gonçalves

Mesmo em um cenário com cotas raciais, a especialista analisa que o acesso ainda é desproporcional à população de negros no país.

“Em um universo de 40 pessoas, cerca de cinco ou seis  eram negras. Então, ainda assim, é uma porcentagem muito pequena, especialmente quando a gente compara com a porcentagem de pessoas negras no Brasil que é de 56%.”

Arlane Gonçalves foi para o mercado de trabalho muito jovem e percebeu o quanto a falta de políticas de equidade racial nas empresas trouxe desafios para sua carreira. “A desigualdade racial foi um grande fator que me desfavoreceu em algumas corridas dentro do mundo coorporativo”.

Ela dá como exemplo a falta de estrutura e preparo para a recepção de diversidade nos ambientes de negócios, onde, na visão dela, falta treinamento e propostas de capacitação para este público se sentir melhor acolhido, por exemplo, em processos seletivos afirmativos: trainees e programas de estágio voltado para pessoas negras.

“Dentro de uma organização, fazendo parte das iniciativas de diversidade de RH, presenciei a chegada de pessoas negras através destes programas que, como eu, lá no começo, não tinham nenhuma preparação. E quando chegaram lá dentro não tinha um programa de desenvolvimento feito para recebê-las e dar conta dessas necessidades e habilidades.”

Consultora e palestrante de diversidade, equidade e inclusão, Arlane Gonçalves (20.nov.2021) / CNN / Reprodução

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