Macron diz que primeiro-ministro da Austrália mentiu em acordo sobre submarinos

Austrália cancelou acordo multibilionário com a França depois de uma nova aliança com EUA e Grã-Bretanha anunciada em setembro

Presidente francês, Emmanuel Macron
Presidente francês, Emmanuel Macron 20/09/2021 Stefano Rellandini/Pool via REUTERS

Reuters

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O presidente francês, Emmanuel Macron, disse que o primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, mentiu para ele sobre o cancelamento de um contrato de construção de submarino em setembro, e indicou que mais preciso fazer mais para reconstruir a confiança entre os dois aliados.

Macron e Morrison estavam em Roma na última semana para a cúpula do G20. Foi a primeira vez que se encontraram desde que a Austrália cancelou o acordo multibilionário de submarinos com a França, como parte de uma nova aliança de segurança com os Estados Unidos e a Grã-Bretanha anunciada em setembro.

A nova aliança de segurança, apelidada de “Aukus” e que pode dar à Austrália acesso a submarinos nucleares, pegou Paris desprevenida e viu os embaixadores franceses serem chamados de volta de Washington e Canberra em meio à noticia de que a França havia sido traída.

“Tenho muito respeito pelo seu país. Tenho muito respeito e muita amizade pelo seu povo”, disse Macron a um grupo de repórteres australianos que viajou para cobrir o G20. “Só digo que quando temos respeito, você tem que ser verdadeiro e tem que se comportar de maneira consistente com esse valor.”

Questionado se achava que Morrison havia mentido para ele, Macron respondeu: “eu não acho, eu sei”.

Morrison, que falou em uma entrevista coletiva neste domingo (31) em Roma, disse que não mentiu e que já havia explicado a Macron que os submarinos convencionais não atenderiam mais às necessidades da Austrália.

O primeiro-ministro afirmou também que o processo de restauração do relacionamento havia começado.

Na sexta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse que tinha entendido que a França havia sido informada sobre o cancelamento do contrato antes que o pacto Aukus fosse anunciado, e afirmou que o tratamento do novo acordo de segurança foi desajeitado.

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