EUA convidam Taiwan para ‘Cúpula pela Democracia’ e enfurecem China

Brasil também está entre convidados para o evento virtual que acontece nos dias 9 e 10 de dezembro

Joe Biden e Xi Jinping se cumprimentam durante encontro em Pequim em 2013.
Joe Biden e Xi Jinping se cumprimentam durante encontro em Pequim em 2013. REUTERS

Nectan Ganda CNN

Washington, DC

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O governo Biden convidou Taiwan para sua “Cúpula pela Democracia” no mês que vem, de acordo com uma lista de participantes publicada na noite de terça-feira (23) pelo Departamento de Estado americano. O movimento foi chamado de “erro” pela China.

A reunião inédita é um teste para a afirmação do presidente Joe Biden, anunciada em seu primeiro discurso de política externa em fevereiro, de que retornaria os Estados Unidos à liderança global para enfrentar as forças autoritárias lideradas pela China e pela Rússia.

O Brasil também está entre os convidados para o evento virtual.

Há 110 participantes na lista de convidados do Departamento de Estado para o evento virtual em 9 e 10 de dezembro, que visa ajudar a impedir o retrocesso democrático e a erosão de direitos e liberdades em todo o mundo. A lista não inclui China ou Rússia.

Nesta quarta-feira (24), o Escritório da China para Assuntos de Taiwan classificou a inclusão de Taiwan como um “erro”, dizendo que Pequim se opôs a “qualquer interação oficial entre os EUA e a região chinesa de Taiwan”.

“Essa postura é clara e consistente. Instamos os EUA a se ater ao princípio de ‘uma só China’ e aos três comunicados conjuntos”, disse Zhu Fenglian, porta-voz do escritório, em entrevista coletiva.

O Partido Comunista da China, no poder, vê a democracia autônoma como parte de seu território, embora nunca o tenha governado.

O convite de Biden para Taiwan ocorre no momento em que a China aumenta a pressão sobre os países para diminuir ou cortar as relações com a ilha, que Pequim considera não ter direito à categoria de Estado.

O governo autônomo de Taiwan diz que Pequim não tem o direito de falar a seu favor.

Diferenças agudas em relação a Taiwan persistiram durante uma reunião virtual no início deste mês entre Biden e o presidente chinês Xi Jinping.

Embora Biden tenha reiterado o apoio de longa data dos EUA à política “de uma só China”, segundo a qual reconhece oficialmente Pequim em vez de Taipei, ele também disse que “se opõe veementemente aos esforços unilaterais para mudar o status quo ou minar a paz e a estabilidade em todo o Estreito de Taiwan”, disse a Casa Branca.

Xi disse que os taiwaneses que buscam a independência e seus apoiadores nos Estados Unidos estão “brincando com fogo”, segundo a agência de notícias estatal Xinhua.

Grupos de direitos humanos questionam se a Cúpula pela Democracia de Biden pode pressionar os líderes mundiais convidados, alguns acusados ​​de abrigar tendências autoritárias, a tomar medidas significativas.

A lista do Departamento de Estado mostra que o evento reunirá democracias maduras, como França e Suécia, mas também países como Filipinas, Índia e Polônia, onde ativistas dizem que a democracia está ameaçada.

Na Ásia, alguns aliados dos EUA, como Japão e Coreia do Sul, foram convidados, enquanto outros, como Tailândia e Vietnã, não foram. Outros ausentes notáveis ​​foram os aliados dos EUA, Egito, e a Turquia, membro da OTAN. A representação do Oriente Médio será pequena, com Israel e Iraque como os únicos dois países convidados.

* Matéria traduzida. Leia a original aqui.

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