Flip 2021 começa neste sábado: saiba como e onde assistir

Essa é a segunda edição online e gratuita da Festa Literária Internacional de Paraty - questões coletivas como a crise climática, a desigualdade social e a pandemia de Covid-19 norteiam o evento

Debora Sandercolaboração para a CNN

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Começa neste sábado (27) a 19ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Em sua segunda edição realizada de modo totalmente virtual, o evento terá de duas a três mesas por dia até o dia 5 de dezembro e vai reunir escritores e intelectuais brasileiros e estrangeiros.

Entre os convidados estão a canadense Margaret Atwood, a americana Alice Walker e os mineiros Ailton Krenak e Conceição Evaristo. Toda a programação será transmitida no canal da Flip no YouTube, onde já é possível ativar lembretes para acompanhar as mesas deste final de semana.

A abertura da programação principal do evento acontece neste sábado às 16h. O cineasta e líder indígena Carlos Papá conduzirá uma cerimônia junto a representantes do povo Guarani na região de Paraty. A ideia é aproximar o público da compreensão do termo Guarani Nhe’éry, que norteia toda a programação da Flip 2021.

Nhe’éry (pronuncia-se nheeri) é como o povo Guarani se refere à Mata Atlântica, a formação florestal com mais biodiversidade do mundo. O termo enfatiza os universos plurais da floresta.

Diferentemente das edições passadas, que escolhiam um autor homenageado, o evento deste ano foi pensado por cinco curadores que propuseram um tema central para o debate.

Outra mudança nesta edição da festa é a escolha de prestar uma homenagem coletiva em vez de reconhecer um único escritor. Assim, a homenagem deste ano vai para todos os pensadores, conhecedores e mestres indígenas que tiveram suas vidas interrompidas pela Covid-19.

Conforme o texto curatorial da 19ª Flip, questões coletivas como a crise climática, a desigualdade social e a pandemia de Covid-19 mobilizaram a organização do evento a propor uma reflexão sobre outras maneiras de estar no mundo.

“A Flip floresceu em um município que tem parte significativa de seu território ocupada por áreas de proteção socioambiental, em região reconhecida como Patrimônio Mundial Misto da Humanidade pela Unesco, título que por si só instiga a obrigação de nunca separar cultura e natureza”, argumenta o texto.

Amarrando essa temática à proposta primordial do evento, o material destaca a importância da literatura para pensar o mundo e a relação com o reino vegetal, citando alguns exemplos de obras-primas literárias que tiveram foco importante nas plantas: Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Fernando Pessoa, Mãe Stella de Oxóssi e Emily Dickinson são destacados no texto.

Veja abaixo a apresentação dos curadores da 19ª Festa Literária Internacional de Paraty:

Hermano Vianna, antropólogo de formação, coordena o trabalho deste coletivo curatorial integrado por Anna Dantes, colaboradora da Escola Viva Huni Kuin há mais de dez anos e uma das fundadoras do Selvagem – Ciclo de estudos sobre a vida.

Evando Nascimento, escritor e filósofo, pioneiro na reflexão sobre literatura e plantas no Brasil.

João Paulo Lima Barreto, antropólogo do povo Tukano, do Alto Rio Negro, fundador do Centro de Medicina Indígena em Manaus.

Pedro Meira Monteiro, professor da Princeton University e um dos fundadores da oficina Poéticas Amazônicas, no Brazil LAB da Universidade.

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