Último pregão de 2021 tem foco na Ômicron e incerteza sobre paralisação de servidores

Novos alertas da OMS sobre a Ômicron preocupam investidores; possíveis paralisações de servidores federais em 2022 também é preocupação no cenário nacional

Priscila Yazbekda CNN

Em São Paulo

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O último pregão do Ibovespa de 2021 ocorre com o mercado de olho na variante Ômicron e na incerteza quanto a paralisação de servidores federais.

No exterior, nos Estados Unidos, os índices renovaram as máximas na quarta-feira (29), mais uma vez puxados pelo tradicional rali de Natal. Nesta quinta-feira (30), os futuros abrem perto da estabilidade, com a variante Ômicron mantendo os investidores cautelosos.

Contribui para a apreensão os alertas da Organização Mundial da Saúde. A OMS disse que as novas variantes da Covid-19 podem se espalhar em regiões com baixa taxa de vacinação, e com isso se tornar resistentes as vacinas.

Na Europa, as bolsas estão estáveis ou com leves perdas, também por causa das notícias sobre a Ômicron. França, Portugal e Reino Unido baterem novos recordes de casos de Covid-19 na quarta-feira. Destaque também para os dados de inflação na Espanha, que fecharam 2021 na maior alta desse 1992, puxados pelos preços de energia.

Indo para a Ásia, as bolsas fecharam em alta, refletindo as fortes altas da quarta em Nova York. Na China, o governo disse que vai estender as isenções tributárias às famílias até o fim de 2023. As ações da Evergrande voltaram a desabar com mais um vencimento de título não pago.

A Samsung e outras empresas disseram que o lockdown em Xian pode provocar atrasos nas entregas de semicondutores.

Brasil

Vindo para o Brasil, a bolsa caminha para fechar o ano com queda superior a 10%, refletindo o ano marcado por revisões para baixo da economia, diante do aumento do risco fiscal e a os dados de inflação. O IGP-M acima do esperado fizeram o Ibovespa descolar das bolsas do exterior na quarta-feira, fechando em queda de 0,75%.

Também pesou negativamente o anúncio de paralisação de servidores federais. A Fonacate, associação que representa a elite do funcionalismo, se reuniu ontem. Os servidores decidiram que podem fazer paralisações de um ou dois dias em janeiro e até mesmo uma greve geral, sem prazo para terminar, a partir de fevereiro. O objetivo é pressionar o Governo Federal a conceder reajuste salarial generalizado. O sindicato dos funcionários do Banco Central já avisou que os cargos de chefia devem começar a ser entregues em 3 de janeiro.

A inflação acima do esperado e a paralisação, que cria pressão por mais gastos, elevam o nível de incerteza interno. A piora na percepção de risco já bateu na curva de juros, que subiu. Juros maiores também afetam a bolsa e ajudam a explicar a queda do Ibovespa.

Agenda do Dia

Na agenda desta quinta-feira, o índice de confiança empresarial FGV e a Aneel decide, durante o dia, a bandeira tarifária para o mês de janeiro de 2022.

No exterior, a China divulga o índice de atividade, o PMI de dezembro de 2021, às 22h. Saem também os pedidos de seguro-desemprego nos EUA, às 10h30.

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