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    OCDE: 60% das mulheres assumiram maior parte das funções da casa na pandemia

    Isso ocorreu mesmo nos casos em que a mãe manteve o trabalho remunerado durante a crise sanitária e os pais não, ainda assim, elas continuaram sendo responsáveis pela maior parte dos cuidados com a casa e os filhos

    Da CNN Brasil*

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    Um novo relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), publicado nesta segunda-feira (13), mostra o impacto da pandemia da Covid-19 na vida das mulheres.

    A análise, de nome “Cuidados na crise: desigualdade de gênero no trabalho remunerado e não-remunerado durante COVID-19”, considerou a realidade dos 25 países que compõem o grupo.

    Segundo o estudo, 61,5% das mães de crianças menores de 12 anos afirmam que assumiram a maioria ou a totalidade dos trabalhos de cuidado extra, enquanto apenas 22,4% dos pais relatam o mesmo. Os pais também concordam que as mães cuidam mais da vida familiar.

    Além disso, mães de crianças menores de 12 anos foram o grupo com maior probabilidade de passar da condição de empregada para não empregada entre o 4º trimestre de 2019 e 3º trimestre de 2020, na média entre os países.

    A OCDE chama atenção para um termo novo que vem crescendo no debate econômico. A organização afirma que as sociedades estão vivendo uma “shecession” ou “momcession”, termos que em inglês fazem a união de ‘recessão’ com as palavras “elas” ou “mãe”, ou seja, o desemprego voltado às mulheres e, especialmente, às mães.

    Esse movimento, de acordo com a analista de Economia da CNN Thais Herédia, é muito grave para a economia. “Além das mulheres perderem a capacidade de ocupar vagas, de voltar rapidamente ao mercado de trabalho, elas ainda encontram uma renda menor do que aquele que tinha quando precisaram sair”.

    Outro ponto levantado pelo relatório é que, no caso em que a mãe continuou empregada e o pai ter perdido o emprego, ela continuou sendo responsável pela maior parte dos cuidados com a casa e os filhos.

    Neste cenário, a renda dela continua sendo menor, mesmo que a análise tenha contemplado os membros da OCDE que são, em sua maioria, países desenvolvidos.

    Os dados mostram que a participação das mães em empregos remunerados pouco fez para mitigar a desigualdade nas condições de trabalho não remunerado.

    Especialmente em países onde as escolas e creches ficaram mais tempo fechadas, a situação das mulheres se agravou substancialmente. As mães suportavam o peso do trabalho adicional não remunerado de cuidado e, correspondentemente, sofriam as penalidades do mercado de trabalho.

    Em contrapartida, os países que conseguiram limitar os dias de fechamento das escolas tendem a ter menores disparidades de gênero no trabalho não remunerado. Além disso, países com níveis historicamente mais altos de gastos com apoio à família também experimentaram níveis mais baixos de desigualdade no trabalho não remunerado na pandemia.

    *Publicado por Ana Nunes

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