Honda terá alternativa própria a Fit e Civic, que se despedem do Brasil este ano

Nova geração do modelo passa a oferecer também carroceria hatchback para contornar custos altos das novas gerações globais

Thiago Morenocolaboração para o CNN Brasil Business

em São Paulo

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A cada nova geração, as montadoras investem pesado para refinar a fórmula de seus carros. Geralmente isso implica em um alto custo de desenvolvimento de uma plataforma que supere os atributos da anterior, usando materiais mais caros para deixar o carro maior, mais seguro e confortável.

As demandas do governo também crescem com o tempo, com exigência de mais equipamentos de segurança e motores menos poluentes. E o próprio público exige carros que performam melhor em testes de colisão.

Também há uma evolução naquilo que os compradores esperam do carro em termos de comodidades. Basta lembrar que não faz muito tempo que um simples ar-condicionado era um caro opcional na maioria dos carros vendidos por aqui. Quanto mais o veículo entrega, mais é cobrado por ele, e o valor final aumenta.

Essa evolução pode ser acompanhada em dois produtos nacionais – por enquanto – da Honda: o Fit e o Civic.

 

O primeiro ganhou uma nova geração ainda no ano passado e, além da maior tecnologia embarcada, a Honda conferiu ao carro uma opção de conjunto motriz híbrida para atender às normas de emissões cada vez restritas na Europa e no Japão.

Para isso, sua plataforma precisou ser desenvolvida de forma a acomodar o sistema, mesmo que algumas configurações ainda ofereçam somente o motor a combustão.

A nova geração do Civic foi apresentada já em 2021 e, para combater a crescente participação dos SUVs no mercado, a marca investiu em um sedã um pouco maior, propulsores mais eficientes e, em especial, num maior refinamento tanto dos materiais da cabine quanto na qualidade de rodagem do carro.

Com isso, as novas gerações do Fit e do Civic ficaram mais caras para serem produzidas. Hoje, os dois carros da Honda são fabricados no Brasil em Itirapina e Sumaré, ambas no interior paulista.

Para adaptar as linhas de montagem às novas e mais complexas plataformas, a marca precisaria investir pesadamente. Esse custo também iria refletir no preço final dos carros. Considerando o cenário econômico difícil e os valores cada vez mais altos dos modelos 0 km, a Honda tomou uma atitude mais radical.

A marca confirmou que o Fit deixará de ser fabricado no Brasil até o final de 2021, junto com a atual geração do Civic feita aqui. O primeiro simplesmente deixará de ser oferecido, enquanto há planos para que o sedã volte a ser vendido no país sendo importado e voltado a um segmento mais premium, provavelmente com motorização híbrida.

Mas a Honda não deixará de oferecer produtos para estes segmentos. Na faixa de preço que era do Civic, a marca acabou de renovar o City, sedã que era o item de entrada da empresa, mas foi “promovido” a uma categoria superior.

Sua nova geração cresceu um pouco, ganhando 94 mm de comprimento e 53 mm de largura, indo para, respectivamente, 4,55 metros e 1,75 m. O porta-malas continua sendo um dos destaques do modelo, com 519 litros de capacidade.

Além disso, o City será oferecido no Brasil pela primeira vez com uma opção de carroceria hatchback. A Honda ressaltou bastante que a novidade será maior internamente que o Fit. Com 4,34 m de comprimento, 2,60 m de entre-eixos e 1,75 m de largura é, respectivamente, 245 mm, 70 mm e 54 mm maior. A plataforma da dupla foi desenvolvida primariamente para os mercados do Sudeste Asiático com o objetivo de ganhar tecnologia e segurança ao passo em que mantém uma construção mais simples e barata.

Com isso, a Honda do Brasil terá uma solução própria para contornar os aumentos de custos produtivos com os novos Civic e Fit ao colocar os novos City e City hatch em suas respectivas faixas de preço. Com o reposicionamento, o sedã irá brigar com rivais como o Volkswagen Virtus, enquanto o hatch já mira no mercado do VW Polo, por exemplo.

Antes de acusar a Honda de exagerar na economia, vale lembrar que o City nacional recebeu aprimoramentos em relação ao carro que é vendido na Ásia. Um deles é na motorização. O propulsor é um 1.5 aspirado como em outros países, mas, por aqui, é flex e recebeu um sistema de injeção direta de combustível que deixa a queima no cilindro mais forte e eficiente. Com isso, os City nacionais entregam até 126 cv de potência, contra 121 cv do carro asiático. O câmbio é sempre automático CVT.

Mas o grande passaporte que fará o City subir de nível será o Honda Sensing. É nome que a marca dá para o conjunto de sistemas de auxílio à condução e a dupla será responsável por estrear a tecnologia entre os modelos da empresa feitos por aqui. Ele agrega controle de cruzeiro adaptativo, frenagem para mitigação de colisão, assistente de permanência em faixa, aviso de saída involuntária de faixa e comutador automático de farol alto. O Honda Sensing virá de série nas versões topo de linha tanto do hatch quanto do sedã.

A Honda deu início à pré-venda do City sedã em 23 de novembro e o carro já teve os preços anunciados. Eles variam entre R$ 108.300 e R$ 123.100. O Honda Civic nacional mais barato não sai por menos de R$ 117.900 e pode chegar a R$ 160.600. As entregas devem ter início em janeiro do ano que vem.

Para o City hatch, a Honda ainda não confirmou os preços oficiais, mas terá apenas duas versões: EXL e Touring, enquanto o sedã ainda tem uma configuração mais simples, a EX. Suas vendas começarão em março de 2022. Para referência, os preços das últimas unidades do Fit variavam entre R$ 74.200 e R$ 99.500.

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