EUA: pedidos de auxílio-desemprego não variam; inflação é maior em quase 40 anos

Gastos do consumidor aumentaram de forma sólida, colocando a economia dos Estados Unidos a caminho de encerrar 2021 fortalecida

Pedidos iniciais de auxílio-desemprego ficaram inalterados em 205 mil
Pedidos iniciais de auxílio-desemprego ficaram inalterados em 205 mil Brian Snyder/Reuters

Lucia Mutikanida Reuters

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O número de norte-americanos que entraram com novos pedidos de auxílio-desemprego se manteve abaixo dos níveis pré-pandemia na semana passada, enquanto os gastos do consumidor aumentaram de forma sólida, colocando a economia dos Estados Unidos a caminho de encerrar 2021 fortalecida.

Mas as pressões sobre os preços continuaram aumentando, com uma medida da inflação subjacente, o PCE, registrando em novembro seu maior aumento anual desde 1982, com acumulado de 5,7%.

Os dados desta quinta-feira (23) surgem em um momento em que o país luta contra o ressurgimento das infecções por Covid-19, impulsionadas pela variante Delta e pela altamente transmissível Ômicron, que podem prejudicar o crescimento econômico no primeiro trimestre.

Os pedidos iniciais de auxílio-desemprego ficaram inalterados em 205 mil, em dado ajustado sazonalmente, na semana encerrada em 18 de dezembro, informou o Departamento do Trabalho. Neste mês, as solicitações haviam caído para um patamar visto pela última vez em 1969.

Economistas consultados pela Reuters previam 205 mil solicitações para a última semana. Os pedidos caíram ante um recorde de 6,149 milhões registrado em abril de 2020.

Um relatório separado do Departamento do Comércio também divulgado nesta quinta-feira mostrou que os gastos do consumidor, que respondem por mais de dois terços da atividade econômica dos Estados Unidos, subiram 0,6% no mês passado.

Os dados de outubro foram revisados para cima, para mostrar alta de 1,4%, em vez de 1,3%, conforme divulgado anteriormente. Economistas consultados pela Reuters previam aumento de 0,6% nos gastos do consumidor.

Serviços como viagens durante o feriado de Ação de Graças nos Estados Unidos foram responsáveis por grande parte do aumento nos gastos do consumidor.

Os gastos com bens foram mais fracos depois que os norte-americanos iniciaram suas compras de fim de ano mais cedo para evitar prateleiras vazias devido à escassez.

A economia norte-americana cresceu a uma taxa anualizada de 2,3% no terceiro trimestre, com os gastos do consumidor subindo a um ritmo de 2,0%. As previsões de crescimento para o quarto trimestre chegam a 7,2%.

Para todo o ano de 2021, a economia deve crescer 5,6%, o ritmo mais rápido desde 1984, mostrou pesquisa da Reuters com economistas. Em 2020, a economia contraiu 3,4%.

Em novembro, os preços ao consumidor voltaram a subir. O índice PCE, excluindo componentes voláteis de alimentos e energia, teve alta de 0,5%, após ganho semelhante em outubro.

Nos 12 meses até novembro, o chamado núcleo do PCE acelerou a 4,7%. Esse foi o maior aumento desde a década de 1980 e sucedeu um avanço de 4,2% em outubro ante o mesmo período no ano anterior.

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