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    Escassez de chuva nos últimos 10 anos impediu crescimento do PIB, diz FGV

    PIB cresceu em média 0,4% ao ano de 2012 a 2021, e com mais chuvas poderia ter chegado a 2%

    Elis Barretoda CNN*

    no Rio de Janeiro

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    Estudo publicado pelo Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas (IBRE/FGV) conclui que se o nível de chuvas no Brasil nos últimos dez anos tivesse seguido a média histórica de 1980 a 2019, de 1.457 mm, o Produto Interno Bruto (PIB) médio anual do país teria crescido cinco vezes mais.

    Isso porque o Brasil depende muito da água como insumo produtivo para a manutenção e crescimento da economia: 70% da energia fornecida vem das hidrelétricas e o setor agropecuário tem uma das maiores fatias do PIB.

    O PIB do Brasil cresceu em média 0,4% ao ano de 2012 a 2021, e com o aumento do recurso hídrico, segundo a FGV, esse valor poderia ter chegado a 2% ao ano. O macroeconomista e responsável pelo estudo, Bráulio Borges, conversou com a CNN e explicou que de 2012 a 2021, o Brasil teve uma “década perdida” em termos de desempenho do PIB. Isso porque além do fim do superciclo de commodities em 2011 – alta dos preços de exportações, que gerou um maior rendimento dos exportadores e, por fim, aumento das receitas fiscais do Estado, passando de R$ 166 bilhões em 2000 para R$ 386 bilhões em 2011 -, as chuvas ficaram muito abaixo da média.

    A média histórica era de 1.457 mm ao ano, e desde 2012, a média de chuvas anual em milímetros ficou abaixo desse valor.

    “O Brasil depende muito da água como insumo produtivo, muito mais do que outras economias. Nos últimos dez anos, 70% da energia fornecida veio das hidrelétricas. O setor agropecuário também tem impacto muito grande na economia brasileira. E ambos dependem de recurso hídrico”, concluiu.

    O pesquisador alerta ainda que se não fosse a expansão da geração eólica de energia, o Brasil já teria tido um racionamento de energia nos últimos anos. A média mundial de uso de hidrelétricas é de 15%, enquanto a média na América Latina é de 44%. Só no Brasil, a geração de energia por usinas hidrelétricas corresponde a 59,3%. Atualmente a energia eólica gera 15,3% de energia do País, segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

    Para Bráulio Borges aconteceu o que os especialistas chamam de “choque de oferta”, que é o efeito de quando o PIB desce e a inflação sobe.

    “Com a falta de água nos reservatórios das usinas hidrelétricas, temos que ativar as termelétricas, e isso aumenta a tarifa pois tem termelétrica que chega a custar 20 vezes mais que a geração por hidrelétrica. Então aumenta a tarifa para a população e para a indústria, o que puxa a inflação para cima.”, conclui.

    De acordo com a análise da FGV, existem dois fatores que podem ter resultado nessa estagnação de crescimento: “má sorte”, o que consiste em fatores externos e que escapam do controle, e “políticas ruins”, que são as decisões econômicas e de políticas públicas tomadas pelo Estado.

    Para Borges, a situação do Brasil é uma mistura desses dois fatores. “Podemos dizer que é má sorte, por ser um fator externo, mas abre margem para a gente questionar o fato de o Brasil e o mundo terem negligenciado a questão ambiental. Os países que mais perdem com a mudança climática, e isso está em diversos estudos, são os que estão abaixo da linha do equador.”

    *estagiária sob supervisão de Maria Mazzei

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